Tuesday, June 12, 2007

Pensamentos de uma degradação

Tu que estás aí! Perdida por entre ruelas, túneis escuros e becos sem saída.
Encontras-te na aflição de um vício sem retorno… degradação crescente.
Tens a sensação que tudo está normal, mas no fundo é a confusão da tua mente.
A auto-piedade é tão enorme, que as lágrimas escorrem sobre o teu rosto sofrido em vão.
A vontade da normalidade esconde a verdade.
Vês aquilo que os outros não conseguem ver.
Os sonhos que te atormentam, desgastam-se com o passar dos anos.
Anos estes que ficaram bloqueados no interior do teu ego.
És uma mártir da sociedade decadente, uma escrava de uma malignidade incurável.
Auto-questionas-te sem respostas credíveis.
O sub-mundo da escuridão é constante.
O orgulho doentio entranha-se cada vez mais na tua filosofia de vida.
Escondes-te dentro das quatro paredes do teu quarto sombrio.
Tens medo de ti própria…
O amanhã não existe, porque o futuro morreu.
Detestas limitações na tua pseudo vida.
Imaginas-te superior a tudo aquilo que te rodeia.
Detestas hipocrisias e amizades enganosas.
Não te deixes enganar, excepto a ti mesma.
As tuas virtudes estão camufladas pela própria doença.
A realidade desfoca-se com o teu olhar entreaberto e revolto.
O fim está cada vez mais próximo, embora não o saibas.
As pessoas que vais perdendo, são os teus melhores amigos.
Anestesias os sentimentos pensando nelas.
A melancolia vai alastrando no teu intelecto insano.
Já não consegues chorar, nem tão pouco te rires.
Afastas-te de tudo e de todos.
Iludes-te com irrealidades e detestas prioridades.
Os pesadelos nocturnos são uma constante.
Tornas-te uma leiga da sabedoria.
És cúmplice da tua dor.
A angústia torna-se familiar.
Os objectivos perderam-se desde aquela primeira vez.
Já não acreditas em ti e em nada.
Pedes ajuda a Satanás, já que mais ninguém ta dá.
Queres morrer, mas falta-te a coragem do acto.
Fazes promessas à toa e sentes-te cada vez pior contigo mesma.
Sentes vontade de mudar, mas não sabes como.
Os pensamentos são cada vez mais cinzentos e destrutivos.
Estás farta da rotina, mas o corpo obriga-te a ela.
A auto-estima escondeu-se nas tuas veias debilitadas.
És um farrapo humano, interior e exteriormente.
E pensas: “Porque me aconteceu isto?”
Todo o teu passado viola a tua consciência e atormenta-te gravemente.
Compras mais do que aquilo que deves e metes-te no teu quarto sombrio.
Ingeres tudo sem dó nem piedade, mostras um sorriso de alívio e findas.
O sofrimento foi-se porque… ficou o nada em teu redor.

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