Ribeira negra, onde estás?
A escutar o rio vagabundo
que passa no teu meio
e vês as pessoas más.
Ribeira negra, onde estás?
Ansiosa sempre serás,
no teu meio a confusão
daqueles que te detestarão.
Ribeira negra, onde estás?
Escuto ao longe
um grito desesperado,
mas não voltarás.
Ribeira negra, onde estás?
Escondida no teu beco
a revelares o teu sonho,
mas sei que nunca morrerás.
Coisas
Monday, September 30, 2013
Tuesday, June 12, 2007
Festa do Funeral
Escuridão no olhar,
Desejo de morte.
O sangue escorre,
O sofrimento cresce.
Tenho a morte na alma,
Tenho a morte na mente.
Sepultura construída,
Corpo lá p’ra dentro.
Começa a festa do
funeral,
Alegrias desaparecem,
As mágoas escorrem,
Pessoas entristecem.
Vamos dançar a dança do funeral,
Vamos dançar a dança do funeral,
Dança lenta e obscura.
Estou a vê-la,
Estou a senti-la.
Dancem a dança do
funeral,
Enquanto o meu espírito
parte
Para um sitio distante,
O corpo apodrece
Numa escuridão
constante.
Primavera
E não é por os seus ramos verdes de bucolismo deporem as flores claras que o tempo que vai passando tão sabiamente lhes ofertou numa coroa sacramental.
É por quererem renascer floridas, de olhos postos no futuro, tal amendoeiras brancas nesta Primavera de amor.
Pensamentos de uma degradação
Encontras-te na aflição de um vício sem retorno… degradação crescente.
Tens a sensação que tudo está normal, mas no fundo é a confusão da tua mente.
A auto-piedade é tão enorme, que as lágrimas escorrem sobre o teu rosto sofrido em vão.
A vontade da normalidade esconde a verdade.
Vês aquilo que os outros não conseguem ver.
Os sonhos que te atormentam, desgastam-se com o passar dos anos.
Anos estes que ficaram bloqueados no interior do teu ego.
És uma mártir da sociedade decadente, uma escrava de uma malignidade incurável.
Auto-questionas-te sem respostas credíveis.
O sub-mundo da escuridão é constante.
O orgulho doentio entranha-se cada vez mais na tua filosofia de vida.
Escondes-te dentro das quatro paredes do teu quarto sombrio.
Tens medo de ti própria…
O amanhã não existe, porque o futuro morreu.
Detestas limitações na tua pseudo vida.
Imaginas-te superior a tudo aquilo que te rodeia.
Detestas hipocrisias e amizades enganosas.
Não te deixes enganar, excepto a ti mesma.
As tuas virtudes estão camufladas pela própria doença.
A realidade desfoca-se com o teu olhar entreaberto e revolto.
O fim está cada vez mais próximo, embora não o saibas.
As pessoas que vais perdendo, são os teus melhores amigos.
Anestesias os sentimentos pensando nelas.
A melancolia vai alastrando no teu intelecto insano.
Já não consegues chorar, nem tão pouco te rires.
Afastas-te de tudo e de todos.
Iludes-te com irrealidades e detestas prioridades.
Os pesadelos nocturnos são uma constante.
Tornas-te uma leiga da sabedoria.
És cúmplice da tua dor.
A angústia torna-se familiar.
Os objectivos perderam-se desde aquela primeira vez.
Já não acreditas em ti e em nada.
Pedes ajuda a Satanás, já que mais ninguém ta dá.
Queres morrer, mas falta-te a coragem do acto.
Fazes promessas à toa e sentes-te cada vez pior contigo mesma.
Sentes vontade de mudar, mas não sabes como.
Os pensamentos são cada vez mais cinzentos e destrutivos.
Estás farta da rotina, mas o corpo obriga-te a ela.
A auto-estima escondeu-se nas tuas veias debilitadas.
És um farrapo humano, interior e exteriormente.
E pensas: “Porque me aconteceu isto?”
Todo o teu passado viola a tua consciência e atormenta-te gravemente.
Compras mais do que aquilo que deves e metes-te no teu quarto sombrio.
Ingeres tudo sem dó nem piedade, mostras um sorriso de alívio e findas.
O sofrimento foi-se porque… ficou o nada em teu redor.
Tens a sensação que tudo está normal, mas no fundo é a confusão da tua mente.
A auto-piedade é tão enorme, que as lágrimas escorrem sobre o teu rosto sofrido em vão.
A vontade da normalidade esconde a verdade.
Vês aquilo que os outros não conseguem ver.
Os sonhos que te atormentam, desgastam-se com o passar dos anos.
Anos estes que ficaram bloqueados no interior do teu ego.
És uma mártir da sociedade decadente, uma escrava de uma malignidade incurável.
Auto-questionas-te sem respostas credíveis.
O sub-mundo da escuridão é constante.
O orgulho doentio entranha-se cada vez mais na tua filosofia de vida.
Escondes-te dentro das quatro paredes do teu quarto sombrio.
Tens medo de ti própria…
O amanhã não existe, porque o futuro morreu.
Detestas limitações na tua pseudo vida.
Imaginas-te superior a tudo aquilo que te rodeia.
Detestas hipocrisias e amizades enganosas.
Não te deixes enganar, excepto a ti mesma.
As tuas virtudes estão camufladas pela própria doença.
A realidade desfoca-se com o teu olhar entreaberto e revolto.
O fim está cada vez mais próximo, embora não o saibas.
As pessoas que vais perdendo, são os teus melhores amigos.
Anestesias os sentimentos pensando nelas.
A melancolia vai alastrando no teu intelecto insano.
Já não consegues chorar, nem tão pouco te rires.
Afastas-te de tudo e de todos.
Iludes-te com irrealidades e detestas prioridades.
Os pesadelos nocturnos são uma constante.
Tornas-te uma leiga da sabedoria.
És cúmplice da tua dor.
A angústia torna-se familiar.
Os objectivos perderam-se desde aquela primeira vez.
Já não acreditas em ti e em nada.
Pedes ajuda a Satanás, já que mais ninguém ta dá.
Queres morrer, mas falta-te a coragem do acto.
Fazes promessas à toa e sentes-te cada vez pior contigo mesma.
Sentes vontade de mudar, mas não sabes como.
Os pensamentos são cada vez mais cinzentos e destrutivos.
Estás farta da rotina, mas o corpo obriga-te a ela.
A auto-estima escondeu-se nas tuas veias debilitadas.
És um farrapo humano, interior e exteriormente.
E pensas: “Porque me aconteceu isto?”
Todo o teu passado viola a tua consciência e atormenta-te gravemente.
Compras mais do que aquilo que deves e metes-te no teu quarto sombrio.
Ingeres tudo sem dó nem piedade, mostras um sorriso de alívio e findas.
O sofrimento foi-se porque… ficou o nada em teu redor.
Os cinco pensamentos
Eu guardava um bosque de pinheiros altos que se estendia por todo o vale. A tua casa ficava à saída da aldeia. Nos dias de folga vestias uma saia com flores e descias o carreiro que terminava na minha cabana. Levavas num cesto de palha sob o braço, os frutos do teu pomar. Na véspera eu caçava um coelho e montava o espeto. Pelo fim da manhã, na manta de quadrados vermelhos, aquecíamos as mãos na fogueira e falávamos no Verão em que iríamos à praia. Houve duas noites em que a tua avó foi à cidade e tu ficaste para jantar.
Estarás ainda sentada à minha espera, junto ao portão que eu pintei de verde?
Terei tempo para te contar a guerra?
Dir-te-ei que o teu rosto não mudou, que o teu olhar me manteve atento quando todos adormeceram, que a tua voz há-de apagar o eco da batalha travada ao amanhecer. Saber-te-ei mostrar que se voltar será para te levar comigo? Que te virei buscar para nos juntarmos aos que partiram em direcção ao passado, cada vez mais longe, onde não há fim porque tudo findou? Que os mortos dançam porque já não podem morrer?
Sete, oito séculos terão decorrido desde a queda do império. Os mais afoitos partiram há muito. Nós os que restamos, não sabemos por quem esperar. Vivemos de temores, procurando abrigos nas ruínas de pedra. Temos medo. Não somos bárbaros, como esses povos para além do Reno. Aqui havemos de ficar.
E tu, porque vieste até aqui?
Julgavas poder sair?
Olha, aquele vulto que rola pela encosta abaixo é sísifo, caindo cada vez mais.
Ouve melhor: a noite como um grito amargo e Árabe.
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